O acaso x Para sempre
“O futebol brasileiro tem insuperável técnica individual, sentido de improvisação, inteligência, vivacidade, imaginação, reflexos, elegância e malícia. (…) Sendo um artista, e não um atleta, o jogador brasileiro apaixona-se de tal forma por sua arte que se deixa dominar por ela. Tem nervos sensíveis, é um temperamental, um imaturo, um soldado psicologicamente despreparado para a guerra”.
Acima, um artigo publicado pela revista France Football nos anos… 1950. Talvez essa definição não se encaixe apenas a jogadores, mas também a torcedores, dirigentes e similares.
Envolver-se com futebol é algo fascinante, em todos os termos. Da escolha do time à primeira ida ao estádio, das vitórias sofridas ao sofrer da derrota.
Desde a profissionalização do esporte bretão, a paixão só cresce. A cegueira, também. E a explosão emocional, então…
Ao ver jovens como Neymar deslubrando-se com o futebol, percebo que não fomos criados, seja pelos pais ou pelas escolas, para sermos meramente espectadores. Nós temos que fazer parte do ‘negócio’, temos que nos doar, nem sempre da maneira mais racional e leal possível.
Neymar é um caso de extremo interesse (do) público. E assim será em sua carreira, como aconteceu com Denílson, Robinho, Ronaldinho Gaúcho. E os torcedores já criaram sua relação de amor e ódio com estes e tantos outros que surgiram e continuarão a aparecer. São os artistas principais, que encantam por onde passam. Mas em algum ou todo momento de sua carreira, não sabiam o que fazer: parar; seguir, mas sem empenho; sumir; fazer birra; jogar contra aqueles que pagam seu salário ou escolhem quem entra em campo.
O artista vive do acaso, do lampejo de genialidade. O atleta é para sempre.
Que Neymar ainda consiga tornar-se indispensável, e que o futebol brasileiro não sofra mais com “temperamentais”, “imaturos”, “soldados psicologicamente despreparados para a guerra”. Mas também torcedores, dirigentes e similares.
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